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13 agosto 2015

Crônica | Sentir saudade

 
Hoje levantou mais cedo do que  de costume, mas foi dormir algumas horas depois do que é comum. Perdeu a noção, perdeu o sono e perdeu um pouco do foco durante o dia.
Olhos abertos, olhar vago. Trabalhou sem prestar atenção ao que fazia. Saiu para o almoço, mas não lembrou de ter sentido fome. Riu de uma piada que não ouviu e concordou com algo que não entendeu.
Alguém lhe cumprimentou, porém não se lembra de seu rosto, muito menos de sua voz.
Sentada em frente ao computador, apoiou a cabeça sobre uma mão e continuou o disfarce. Vagou de volta ao mundo em que ficou a madrugada inteira.
Imaginou situações, construiu hipóteses e concluiu algumas chances.
Vagou pelo corredor, outro alguém lhe cumprimentou, e seguiu na direção em que precisava ir. Precisava voltar para onde deveria estar de corpo e alma. Pegou um copo d'água e tentou refrescar a cabeça. Era muita coisa para uma pessoa só.
Voltou para a cadeira devagar, porém  querendo sair correndo para o lado oposto.
As horas passam mais devagar quando se necessita de rapidez. Queria ir para cama, mas sabia que no fundo não conseguiria dormir, havia tentado na noite anterior a mesma coisa. E na anterior, da anterior, da anterior.
 
Não podia continuar assim.
 
Os colegas de trabalho, como característica própria do ser humano, já comentavam pelas costas.
As olheiras fundas, a respiração lenta, o andar silencioso e a cabeça baixa não disfarçavam a verdade.
Horas que levaram séculos mais tarde, se encontrava solitária no apartamento que antes era para dois.
Tudo estava completamente do jeito que havia deixado, afinal, não havia outra pessoa para deixar uma luz acessa sem querem, sujar um copo ou abandonar um sapato no corredor.
Externamente tudo estava quieto, claro que o oposto do interno, sem tranquilidade.
Conseguia sentir o emocional se abalar ao olhar para a cama, ou para a escova na pia. E já não pôde segura-las por mais tempo.
Sentiu a temperatura subir ao rosto,  as mãos formigarem e as pernas cederem.
Não havia alguém para consolar, a única pessoa que poderia ajudar não se encontrava presente. Nem aqui, nem em qualquer outro lugar.

Chamou baixo seu nome. Sentia falta.

Odiava ter que pensar naquela noite, todas as noites que se sucederam a primeira. Sentada ao chão, viu que seria mais difícil viver, e que talvez nem quisesse. Passou a mão pelas maças do rosto, se ergueu cambaleante e foi para o chuveiro.
Agora minutos se transformaram em hora, ate que pode colocar o pijama e enganar-se com o sono.
Deitou sobre lençóis, aspirou seu cheiro. Que agora era mais fraco, e misturado com amaciante.
Quis ser envolvida em braços quentes e acariciada por uma mão maior que a sua. Foi envolvida pela dor, e acariciada pela tristeza.
 
Soltou lagrimas que pesavam toneladas.

Agarrou o travesseiro, mas queria que fosse outro alguém. Se imaginou no passado.
O peito ardia, e quando não lhe restavam mais do que duas horas de sono, caiu no cansaço e adormeceu.
Tinha consciência de que acordaria sem vê -lo. Que passaria o dia a imagina-lo. E que ao voltar para casa, choraria de novo pela sua perda até adormecer. Era assim sua nova rotina.

Sentir saudade de alguém que nunca mais voltaria.
 
 
 
 

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