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15 janeiro 2018

Transform(ação)

     

Por Débora Sá e Julianna Bettim


Manifesto. Documento histórico. Entretenimento. ARTE. Definições abrangentes, mas com um ponto em comum: o cinema. 

Com sua primeira aparição por volta de 1985, a sétima arte já passou e ainda passa por diversas mudanças em suas formas de produção, distribuição e exibição. Uma “transformação constante”, como descreve Flávia Cesarino Costa, em História Mundial do Cinema (2012), os 20 primeiros anos do cinema.

Mas qual seria o seu grande papel em meio a tantas outras manifestações artísticas? Como arte, pressupõe-se o seu papel de instigador da reflexão. Entretanto, há muitos outros caminhos a se explorar. Ao mesmo tempo em que a reflexão se mostra um deles, a transformação aparece como uma consequência, negativa ou positiva, dependendo do repertório de cada indivíduo.

Adriana Barbeiro é mestre em História Social. 
Adécio Moreira  Júnior é analista de marketing. 
Gabriel Fischer é estudante de administração e aspirante a escritor.
Giovana Shammass é estudante de publicidade e propaganda.
Isabella Valentini também.
Letícia Borovina é radialista e cantora nas horas vagas.
Lorena Rebouças é professora de inglês.
Marcello Miyake é estudante de publicidade e propaganda. 
Natan Novelli é estudante de jornalismo.
Paula Jacob é jornalista.
Todos são o cinema.

Adriana, Adécio, Gabriel, Giovana, Isabella, Letícia, Lorena, Marcello, Natan, Paula. Múltiplos indivíduos, múltiplas interpretações. Filmes, diretores, profissões, momentos, decisões, histórias, vidas, esperança.




Múltiplas transformações

“O cinema leva informação à pessoa que assiste. A partir do momento que a pessoa não tem informação, então de certa forma, o cinema pode influenciar pois passa a ser a base de uma informação mesmo que errônea”, explica Josias Pereira, Professor e Pesquisador do curso de Cinema e Audiovisual da UFPel.

Sua ligação com o cinema começou há muito tempo. Letícia Borovina de 21 anos exibe um código morse tatuado em seu braço. A referência? O filme Interstellar (2014), que está presente em praticamente tudo o que Letícia faz e, principalmente, em sua personalidade e na sua relação com a família. Para ela, a principal mensagem do filme é que a única coisa capaz de transcender o tempo é o amor. Assim, ela passou a dar um maior valor às pequenas coisas de sua vida. 

“E aí, depois que eu vi esse filme, ele tem cerca de três horas, eu vi ele no cinema e aí ele ficou ecoando na minha mente por muito muito tempo. E... essa questão do amor, essa questão de… meio que você voltar pra si mesmo e deixar uma mensagem de, não largue as pessoas que você ama sabe? Tenha mais tempo pra elas”, conta Letícia.

Mas Letícia tem muitas outras  lembranças que envolvem filmes. Quando ainda era “criancinha”, sua mãe a introduziu a esse mundo cinematográfico apresentando clássicos como Se7en - Os Sete Crimes Capitais (1995), de David Fincher, e a famosa série de Hannibal Lecter, O Silêncio dos Inocentes (1991), Hannibal (2001) e O Dragão Vermelho (2002). Acho que já ficam óbvias as suas preferências, né? As histórias de suspense e thriller psicológico. 

Entre seus 13 e 14 anos anos, Letícia começou a desenvolver suas características de cinéfila e também a sentir a influência do cinema em sua vida. “Eu comecei a perceber que, na verdade, eu gostava muito da história mas também gostava de aspectos estéticos, e isso, sei lá, despertava em mim discussões futuras, questionamentos, pensamentos”, diz.

Assim como tudo o que é vivido por um indivíduo durante a vida, o cinema representa uma experiência. Mas, além disso, não só pode funcionar mas funciona como um agente transformador. Transformador de sentimento, transformador de valor, transformador de pensamento. 

“Ele [o cinema] pode transformar a sua tristeza, nem que seja de forma momentânea, ou ele pode transformar a sua noção em relação a quem você é no mundo”, defende Adriana Barbeiro, mestre em História Social e especialista em Psicopedagogia. 

Além disso, o cinema também tem a capacidade de encorajar o seu espectador e instigá-lo a enxergar o mundo de outra forma. Marcello Miyake, de 20 anos, assim como Letícia começou sua relação ainda pequeno, com Pequenos Espiões 3D (2001) e  Pokémon (1997). Mais velho começou a se interessar pela grande premiação do cinema, o Oscar. Desde então, suas maratonas começaram a se estender, mais de 9 filmes seguidos. Foi então que percebeu que o cinema já havia tomado um papel importante em sua vida.
“Cada filme que eu vejo, ele pega um valor meu que tenho pré-estabelecido, ele pega e me mostra os dois lados ou um terceiro, quarto, quinto e esse é o maior valor que o cinema me apresentou ao longo da vida”, conta Miyake, que acredita que o cinema tem o papel de quebrar valores e substituí-los. Influenciar.




Um sistema de engrenagens

“Tudo funciona como uma engrenagem para que, funcionando em perfeita harmonia, possa-se haver a transmissão daquilo que se imagina”, defende Luiz Felipe, cineasta.

Para que seja possível o cinema atuar como transformador, tudo nas produções audiovisuais deve se encaixar. Como um grande sistema de engrenagens, no qual uma peça se conecta à outra e, somente com encaixe perfeito, o todo funciona.

O enredo, a música, a fotografia, todos os elementos devem estar inteiramente em perfeita harmonia, construindo uma narrativa audiovisual completa e que cumpra o seu papel. 

“O filme é um todo de música, suspense, emoção e atuação. Isso gera uma interação e uma identificação da sua vida pessoal com a vida dos personagens. Faz você pensar, faz você agir, faz você interagir com as pessoas que estão vendo o filme junto com você.”, argumenta Lorena Rebouças, de 43 anos.

Lorena começou a gostar dessa arte assistindo “Sessão da Tarde”, parte da programação da Rede Globo responsável por exibir filmes. Hoje, é professora de inglês e relembra que o interesse pela língua e pelo cinema nasceu com Grease (1978), quando tinha apenas 6 anos de idade. 

“Eu cantava e dançava as músicas do filme sem parar!”, justifica. E conta que, de tanto cantar, aos 7 anos de idade, os seus pais decidiram colocá-la na escola de inglês. E desde então, a paixão só cresceu.



De geração em geração

“Desde que eu era muito muito “criancinha” eu tenho muitas memórias de cinema, de ver filme em casa, da minha família se reunir para falar de filme. Então… Eu acho que o cinema é a minha vida.”, declara Letícia Borovina.

Letícia já vivenciava o cinema antes mesmo de vir ao mundo. Sua mãe, Lorena, foi assistir Se7en - Os Sete Crimes Capitais (1995), e durante a exibição do filme começou a chorar por prever o final da história. Letícia, com 7 meses em sua barriga, pareceu conectar-se também com a trama pois o choro se misturou com contrações fortíssimas.

Hoje, Lorena é também mãe de Lucas, de 12 anos, e ainda tem o hábito de apresentar aos seus filhos os filmes que marcaram a sua infância e adolescência. A mãe considera que essa prática é extremamente construtiva e contribui para uma troca de experiências com os filhos e para destacar aspectos cinematográficos que não estão mais presentes nas produções atuais.

Mas esse não é o único caso no qual a mãe contribuiu para o gosto do filhx por cinema. Paula Jacob, de 24 anos, é editora-assistente da Casa Vogue Brasil e autora da coluna A Arte do Cinema, e nota que a sua mãe sempre foi uma grande influência cultural em sua vida. Com isso, desde muita nova assiste diversos filmes acompanhada dela e de seu pai.

“Desde pequena sempre assisti muitos filmes com ela [mãe] e com meu pai – os dois têm gostos completamente diferentes, então com ela assistia Goddard e com ele Scorsese”, declara Paula.

Mas os clássicos também foram marcantes na infância de Isabella Valentini. A estudante de Publicidade e Propaganda tem 18 anos e se declara apaixonada por filmes desde a infância. Mas garante que essa paixão não se desenvolveu sozinha, seu pai contribuiu para grande parte de seu repertório, mostrando a ela e a irmã diversos filmes clássicos classificados para a idade delas.

“Ele [pai] sempre gostou muito de cinema e ele sempre fez eu e minha irmã ver, desde pequenininha.”, afirma Isabella.

Gabriel Fischer, de 23 anos, atualmente estuda Administração. E relembra que sua relação com o cinema também começou cedo, quando os filmes ainda eram disponibilizados em VHS, um tipo de mídia utilizado para a gravação de vídeo. Gabriel lembra que quando era criança, a sua mãe alugava os filmes do Spielberg e da Disney por serem os mais acessíveis nesse formato. Mas antes mesmo da famosa história do E.T. - O Extraterrestre (1982), de Steven Spielberg, estar disponível na locadora de filmes em VHS, a mãe de Gabriel já contava a história a ele e ao seu irmão Pedro, de 21 anos. 

Gabriel ainda se recorda de ir ao cinema assistir a alguns dos clássicos da Disney, como Tarzan e Mulan, e se encantar completamente com a experiência. Além disso, lembra até mesmo que quando ainda não sabia ler, a sua mãe fazia de tudo para que conseguisse entender as histórias que não eram contadas em português.

“Ela lia até as legendas quando eu era analfabeto”, declara Gabriel.

Adécio Moreira tem 30 anos. E muitas lembranças. Na infância, foi vítima de uma doença que o impedia de brincar com as outras crianças na rua. Mas não se deixou abalar. As visitas às locadoras e aos videoclubes se tornaram uma rotina. E a sua distração: os filmes que alugava. Hoje, Adécio trabalha com Marketing, mas chegou até mesmo a cursar Filosofia com a intenção de aprimorar a sua visão de arte e construir um posicionamento crítico.

Natan Novelli, de 19 anos, também mergulha em suas lembranças. O estudante de jornalismo procura se aproximar do cinema em tudo o que faz, realizando matérias optativas, iniciação científica, criando um canal no YouTube sobre o assunto, entre outras diversas atividades. Mas relembra que seu interesse começou sentado ao lado de sua mãe. O pequeno Natan observava a televisão enquanto ouvia os seus comentários sobre os vestidos, as atrizes, entre outros. Sem contar com o fato de que ela foi também a responsável por apresentar a ele as animações da Pixar, que representam um dos seus primeiros vínculos com o cinema.

Mas a mãe não foi a única a contribuir para a paixão de Natan pela sétima arte. O estudante se recorda de ter muito espaço para discutir a linguagem cinematográfica em seu colégio. Porém, garante que um de seus professores foi essencial para o incentivar a ter um olhar mais crítico. Por meio das diversas referências apresentadas por seu professor, Natan desenvolveu um gosto muito maior pelo cinema. E hoje, não consegue enxergar a sua vida sem ele.

Com isso, nota-se como uma geração é capaz de contribuir para a formação intelectual da outra. Assim, destaca-se não somente o papel do cinema em si, mas também dos professores que o utilizam em sala de aula a fim de promover um debate embasado e construtivo para os alunos.

 Adriana Barbeiro, que é mestre em História Social e especialista em Psicopedagogia, ao preparar as suas aulas de história para alunos do Ensino Médio, entende que forçá-los a assistir a um filme sobre o conteúdo tratado em sala não é a melhor saída para o aprendizado. Assim, sempre que busca aproximar o cinema da disciplina, seleciona trechos de filmes e questiona os alunos em relação ao que está sendo passado. 



Interferência no Profissional

“O cinema teve um peso razoável na minha primeira escolha profissional que foi a formação em história”, conta Adriana.

Em seus 16 anos, Adriana viveu a famosa pressão do “o que vou fazer da vida?”. Foi quando se sentiu inspirada pelo filme biográfico de Che Guevara, Diários de Motocicleta (2004). A história do revolucionário lhe tocou profundamente, levando-a uma crise de choro no final do filme. Ali, sentiu que precisava conhecer um pouco mais sobre Guevara e, a partir do exemplo do que ele tentou mudar, ela reconheceu que queria fazer o mesmo.

“Eu acho que a minha decisão de fazer a minha primeira formação em história ela veio também, [...]  dessa chama que foi acesa depois de ter assistido a esse filme, foi uma coisa muito forte. Que eu falei caraca, eu também quero conseguir mudar a vida de pessoas, mesmo que não seja da mesma maneira como o Che fez”, disse.

Mas a influência do cinema na escolha profissional não marcou somente a vida de Adriana.

“Hoje, o cinema faz parte do meu trabalho (felizmente)”, comemora Paula Jacob, jornalista da Casa-Vogue.

Quando o editor de Paula aceitou, na hora, sem pestanejar,  sua sugestão de criação da coluna “A Arte do Cinema”, ela ficou muito contente. Agora pode trabalhar com uma paixão. Assim, direção de arte e fotografia são temas fortes de sua coluna e assuntos que faz questão de estudar.



Relações interpessoais

“[O cinema] me aproximou muito de pessoas que têm o mesmo interesse que eu então teve um papel importante nas minhas amizades”, afirma Giovana Shammass.

Quando presente na vida das pessoas, o cinema passa a ter influência até mesmo em sua vivência no dia-a-dia. 
Quando vai conferir o lançamento do mês com pessoas especiais.
Quando divide suas opiniões e impressões.
Quando utiliza diálogos do seu longa favorito em conversas.
Quando compartilha memes em seu perfil.
Quando conversa sobre os personagens.
Quando problematiza histórias.
Quando usa filmes de exemplos.
Quando diz que seu amigo parece tal personagem.
Quando constrói novas noções de mundo.
Quando muda suas ações.

Assim, assistir filmes se torna também um evento social importante, mais relevante até que as mídias sociais, quando se trata de interagir com diferentes pessoas e até fazer amizades. Lorena Rebouças acredita muito nessa capacidade do cinema. “Você chama seus amigos para irem com você ao cinema, você reúne as pessoas em casa e cria um momento especial”, conta.



Uma luz no fim do túnel

“Somos seres muito egoístas e sempre achamos que a nossa vida é mais importante que a vida do outro. O cinema serve para mostrar que a vida de todos é tão importante quanto a minha e, que juntos, devemos lutar para uma convivência melhor”, declara Paula.

Uma sociedade egoísta. Individualista. Líquida. É o que ouvimos diariamente, não é mesmo? Mas como é bom quando vemos que nem tudo está perdido né? Como é gratificante nos depararmos com depoimentos como o de Paula, que enchem os nossos olhos de lágrimas e nos dão uma perspectiva de futuro. De que, se todos se unirem, poderemos viver em harmonia.

Adriana vive a Mudança.
Adécio vive a Empatia. O Altruísmo.
Gabriel vive a Esperança.
Giovana vive o Empoderamento Feminino.
Isabella também vive o Empoderamento Feminino.
Letícia vive o Amor.
Lorena vive a Amizade.
Marcello vive a Esperança.
Natan vive a Alteridade.
Paula vive a Empatia. Os Direitos Humanos. O Feminismo. A Sustentabilidade. O Veganismo.
Todos vivem o CINEMA.

12 janeiro 2018

The Female Gaze: A mulher pela mulher


Mona Lisa del Giocondo, a mais notável e conhecida obra de Leonardo da Vinci, foi pintada por um homem. O Nascimento de Vênus é uma pintura de Sandro Botticelli, homem.  Holly Golightly, a icônica personagem de Audrey Hepburn foi criada por Truman Capote, homem. Pretty Woman, o filme conta a história de Vivian Ward, personagem interpretada por Julia Roberts é escrita por J. F. Lawton, homem. Historicamente, no mundo das artes a figura feminina foi criada por homens.

Na foto:
 → Estátua da Liberdade, Libertas, deusa, romana feita pelo escultor francês Frédéric  Auguste Bartholdi.
 → Princesa Leia, personagem do universo de Star Wars, criada por George Lucas.
 → Mulher-Maravilha, heroína criada por William Moulton Marston e HG Peter.
 → Beatrix Kiddo, protagonista do filme Kill Bill, criada e dirigida por Quentin Tarantino.



“Gaze” é um conceito utilizado para analisar a cultura visual, que prepara como as pessoas serão apresentadas e vistas pelo público. Com a concepção de que esse “gaze” estava somente nas mãos do gênero oposto, nasceu o “The Female Gaze”, um movimento onde a mulher constrói a mulher.

O olhar feminino possibilitou liberdade para as mulheres, pois sua imagem criada por homens não as representavam como um indivíduo, com suas próprias experiências, desejos, sentimentos e emoções. Desde a figura sexy do comercial de cerveja, até a protagonista da novela das oito. Na arte, na música, na televisão, na publicidade e na mídia em geral, a imagem da mulher sempre foi aquela que os homens queriam.

É comum se deparar com fotografias femininas, mas habitualmente costuma-se examiná-las em contextos específicos, onde favorecem o olhar masculino e alimentam a competitividade feminina. No livro de Charlotte Jansen, “Girl on Girl: arte e fotografia na era do olhar feminino”, grandes fotógrafas femininas compõem o livro que enfatiza o “The Female Gaze”.

Presente no livro de Charlotte, a fotógrafa  Maisie Cousins, em suas composições corporais, estabelece diálogo com a realidade dos corpos, mais verdadeiro que as fotografias comuns encontradas na mídia. Seu trabalho é inspirado em revistas de alimentos vintage, e desafia a limpeza associada à feminilidade. Já Phebe Schmidt usa uma linguagem visual diferente, criando um "não-realismo" muito mais verdadeiro do que as versões vendidas nas publicidades.

Fugir da objetificação atribuída às mulheres é apenas um dos pontos do movimento. Mulheres ainda possuem pouca representatividade no mundo da arte sendo que sua imagem, materializada através de homens, é um dos mais antigos ícones artísticos.

 Em 2009 e em 2016, a galeria de arte de Nova York Cheim & Read hospedou uma exposição intitulada "The Female Gaze", que incluiu esculturas, pinturas e colagens. Toda as obras, confeccionadas por mulheres, traziam o olhar feminino em uma série de conceitos feministas.

Apesar de crescente na cultura popular, o termo "The Female Gaze" não tem um significado definitivo. Mas quando mulheres dirigem filmes, tiram fotografias, fazem esculturas e escrevem livros ou artigos, estão colocando em prática seu olhar feminino.

Em 2016, em seu discurso no Festival de Cinema Internacional de Cinema de Toronto, a diretora Jill Soloway abordou o “The Female Gaze”. Chegando o mais próximo de definir o que é produzir com uma perspectiva feminina, a necessidade das mulheres lutarem pelo ponto de vista dos homens e exercer o poder do olhar.



20 junho 2017

O quão trágico pode ser você não se conhecer?

Minha última semana foi um vai e vem emocional tão grande, que jurei não sair ilesa. Mas aqui estou eu, depois de algum tempo ansiando escrever novamente, desabando em palavras. Algo que jurei conhecer bem, de trás pra frente, de cor e salteado era EU. Porém, com os acontecimentos dessa semana, tive a sensação de ter acordado de um coma. 


Como uma máquina, saí do meu controle e entrei no automático.


Simplesmente assim, uma hora eu era um alguém e em outra, era diferente. E ao observar a pessoa que eu vivi nos últimos tempos, tomei um susto. Pois não se parecia com a pessoa que eu sou agora.O mais bizarro da história é que, a eu de agora já foi assim um dia a muitos anos.

Logo a percepção de que, uma parte da minha vida, foi uma encenação alimentada pela minha inocente mente. Eu me conhecia, só deixei que fatores externos me transformassem em outro alguém, parte essa sim, que eu não tinha conhecimento.

Não sei justificar. Esse é o problema. Por que fingi por tanto tempo ser alguém que não queria ser? Eu nem se quer me importei com isso.

Você vive com a certeza de se conhecer, mas a cada dia se descobre de uma maneira diferente. Eu não me redescobri, eu me achei. Estava perdida tentando me encaixar em algo que nem tenho certeza agora. Isso me deixa feliz... e incomodada.


Análise: Melodrama

No dia 16 de junho de 2017, os anjos enviaram para a Terra o maravilhoso e muito aguardado “Melodrama”, segundo álbum de estúdio da cantora Lorde. É bom, mas é diferente!

Os fãs de “Pure Heroine” vão perceber as diferenças entre os trabalhos de Lorde. O suave vocal é o mesmo, graves e agudos que já conhecemos bem. Há também as famosas batidas marcantes, porém “Melodrama” carrega algo incomum da Neozelandesa que conhecemos em “Royals”.

Não sei como explicar isso, mas tentarei. Parece que em todas as músicas receberam uma atenção especial em seu arranjo. Não são lineares, uma hora o vocal diminui, outra trepida, os sons se mesclam, a batida não se torna constante. E esse é o diferencial que torna o “Melodrama” uma obra a ser exaltada e amada.

Essa característica é muito presente em “Sober”, que é um dos grandes destaques do álbum junto com “Perfect Places”, “Liability”, “The Louvre” e claro, “Green Light”.

As músicas são mais dançantes sim, perderam um pouco do lado gótico suave da cantora. Mas ao escutar qualquer faixa você pode afirmar “Essa música é da Lorde!”, não foi uma mudança forçada. Se foi estratégia de marketing não pareceu.

Mesmo que mais “comerciais”, as músicas de “Melodrama” carregam consigo a identidade da cantora e de suas influências. David Bowie ficaria orgulhoso, pois sua presença é marcante em cada uma das faixas.

Eu gosto bastante do “Pure Heroine”, gostei demais do “Melodrama” acho que Lorde conseguiu produzir dois grandes sucessos distintos sem precisar perder sua essência, ela merece palmas de pé.






ANÁLISE ESCRITA PARA A PÁGINA DO LEI DE MURPHY NO FACEBOOK. CLIQUE AQUI PARA CONFERIR O CONTEÚDO.
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